sexta-feira, 23 de abril de 2010

Sincronicidade na minha vida


Eu sou o resultado bem sucedido das minhas escolhas. Sim, bem sucedido e assim o digo sem temer a vaidade, uma vez que reconheço internamente o enorme aprendizado advindo não só das minhas escolhas, mas principalmente das minhas renúncias. Minha vida é a atuação perfeita e divinamente implementada do processo da sincronicidade. A sua também o deve ser...

A doutrina espírita me educou na tenra idade, com os seus gloriosos ensinamentos, até então tão pouco compreendidos por mim mesma. Li bastante: guardei muito e compreendi pouco. O caminho percorrido na juventude equilibrou o excessivo anseio por liberdade com a verdadeira vontade de servir ao próximo. A essa altura já compreendia as ´fatalidades´ que circundam nossas vidas e já sabia diferenciar o conhecimento (saber) do aprendizado (mudar) e comecei a valorizar a riqueza das relações de troca. Assim vivi grande parte da minha vida nas comunidades mais desfavorecidas, não por caridade, mas por pura carência. Eu era carente de simplicidade. E falo sem hipocrisia, estas minhas experiências potencializaram meu amadurecimento e a formação do meu caráter, além de me presentear com amizades fantásticas que durarão eternamente.

A faculdade, por sua vez, formalizou a minha fala, porém expandiu a minha mente. Aquele anseio de liberdade foi exteriorizado nas minhas viagens, até eu entender que não queria o corpo livre, mas eu tinha sede era de libertar a minha mente, presa a ridículos paradigmas. Queria ‘acessar’ o mundo e então aprendi a me comunicar com ele por outros idiomas, mas há pouco percebi que eu falava tanto, porém havia conversado quase nada comigo mesma. Então recentemente descobri meu próprio idioma e mais que isso, descobri que ele é todo sensorial. Não sei se é porque eu sou por demais intensa ou se é minha vida que me faz transcender tanto... Enfim, por aqui eu já tinha lido muito da doutrina espírita e, ainda insatisfeita com o meu conhecimento, fui estudar filosofia. Em seguida, este caminho acabou me levando para Nietzsche, Schopenhauer, Proust e também a Krishnamurti (que tenho por mestre), Osho e Leonardo Boff. A mitologia já me encantava desde a adolescência, mas fui aprofundar quando estava na faculdade, juntamente com os estudos da alquimia. E logo não demorou muito para a física se tornar um fascínio para mim, depois da física quântica então... já estava extasiada! Fernando Pessoa e Clarisse Lispector talvez tenham sido os auges da minha identificação. Pesquisei as religiões e, além da Bíblia, o Alcorão também me chamou muito a atenção. Admiro as religiões orientais, principalmente o budismo, também gosto muito dos ensinamentos dos mulçumanos, a união sem fronteira dos judeus, o conhecimento bíblico dos evangélicos, a fé dos católicos...

Claro que eu me achava culta, mas isso era um conceito que formulei por mim mesma na época da minha maior ignorância.