
Eu sou um espírito essencialmente mendigo, longe de qualquer coisa que eu possa identificar com ‘minha casa’. Vivo sem teto porque sequer reconheço meu mundo, tampouco reconhecerei aqui um lar.
Se me oportunizassem neste momento consultar o oráculo, sem temer a esfinge eu questionaria o porquê de ter sido confrontada com os mistérios da vida ainda na minha pureza infantil. Confesso que até hoje encontro dificuldade extrema em conjugar as pluralidades dos mundos que coexistem no mesmo espaço. Sim, me refiro ao mesmo espaço físico, sobrepostos. A qual deles eu pertenço? Temporariamente eu sei, porém considerando minhas origens não vislumbro a dimensão que acomoda a raiz da minha consciência.
Compreendo que o sexto sentido nos une e trago no peito uma gratidão imensurável por vivenciar, muito embora presa à carne, a verdadeira e eterna vida espiritual de nossas origens e destinos. Com que facilidade hoje compreendo meu encanto pelo oriente tibetano e minha afinidade com os raios do sol, de onde guardo a mesma nostalgia que se apodera de mim ao observar as constelações ao escurecer. Uma realidade que se revela como um bálsamo libertador, ao tempo em que me traz o peso do comprometimento. E dada a minha impossibilidade física momentânea, em desdobramento esta noite hei de adormecer aos pés do Himalaia. Passarei a me sentir, então, plenamente protegida, pois nenhum outro lugar neste mundo se assemelharia tanto ao meu lar (desejável).
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