quarta-feira, 29 de maio de 2013

A dor de um velho menino


Ele era assim, deste 'tamaninho'. As pernas eram de socó, os bracinhos finos de dar dó. Menino descalço vestindo meio trapo, barrigudinho calado na beira do córrego mirando sapo. Quando a noite gemia, ele tremia muito. E quando o sol fazia que ia começar o dia, ele quase que sentia alguma alegria.

Ele vinha de uma roça que já não tinha mais roçado, de uma natureza fingida que descoloria qualquer traçado. A fantasia era contada, quase na madrugada quando a lua cheia 'lumiava' os pensamentos, que era para brotar melhor as mentiras. Porque de verdade, de verdade mesmo ele não tinha nem a vida, já tão desdita. E assim cresceu, seguindo a profecia.

- Sai pra lá, seu moribundo! - Reclamou a mosca varejeira bem no pé do ouvido do Seu Josefino. O menino que se tornou um homem nada distinto, do canavial fez seu destino: da plantação ao alcoolismo. Ele tinha uma dor tão grande, que de tão sofrida não era nem vista, por ninguém jamais foi conhecida, menos ainda sentida.

Naquela região de nascido, ele foi sem dúvida o homem mais temido... Sim, Seu Josefino. Com sua dor ele ameaçava a todos desde menino, de tal maneira que não teve corajoso sequer que ousou conhecer as amarguras de seus desígnios. E era assim temido porque sofria feito bicho. E sabe porque assim tem sido? Porque tem dor que mais faz doer no observador e ninguém queria padecer mais que aquele sofredor.

De tão velho, ele nunca deixou de ser menino... ele era assim: lindo e sozinho!

Um comentário:

  1. Livia,
    Que coisa mais linda...temos que publicar isso!!!!!!

    Voce escreve lindo demais, gosto dos seus cortes, do ritmo...muito lindo!!!!!

    Escreve mais estou te seguindo agora....

    Beijo grande minha linda!!!!!!!,

    Elisiana

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